A possibilidade de formação de um forte fenômeno El Niño entre os meses de junho e julho de 2026 acendeu um alerta no setor do agronegócio brasileiro. Projeções meteorológicas indicam que o evento pode influenciar diretamente o planejamento da safra de grãos 2026/27, com impactos potenciais na produtividade estimados em até 15%.
Segundo análises técnicas, a intensidade esperada do fenômeno pode se assemelhar à registrada no El Niño de 2014/15, considerado um dos mais severos dos últimos anos. O cenário preocupa produtores e especialistas, especialmente diante do risco de atrasos no plantio e perdas de rendimento nas lavouras.
A previsão aponta para um cenário de extremos climáticos no país. A região Sul deve enfrentar chuvas acima da média, com risco elevado de enchentes e prejuízos à produção agrícola. Já as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste tendem a registrar altas temperaturas, estiagens prolongadas, secas intensas e aumento da vulnerabilidade a incêndios florestais.
Diante desse panorama, o especialista em fisiologia vegetal e consultor agronômico Leandro Barcelos defende que o principal fator de mitigação dos impactos climáticos está na estruturação do solo. Segundo ele, o manejo adequado pode reduzir significativamente os efeitos de eventos extremos.
Barcelos destaca que o desenvolvimento de um sistema radicular profundo e bem estruturado é fundamental para a resistência das plantas tanto à seca quanto ao excesso de chuvas. “O produtor não controla o clima, mas pode controlar o ambiente onde a raiz se desenvolve”, afirma.
De acordo com o especialista, práticas como calagem, gessagem e descompactação do solo são essenciais para permitir que as raízes alcancem camadas mais profundas, onde há maior disponibilidade de água e nutrientes, mesmo em períodos de estiagem.
Ele também alerta para os efeitos da compactação do solo em áreas com excesso de chuva, principalmente na região Sul, onde a baixa infiltração de água pode agravar o encharcamento e comprometer o desenvolvimento das plantas.
Além disso, Barcelos reforça a importância da matéria orgânica e do sistema de plantio direto como estratégias para aumentar a resiliência das lavouras, ajudando na retenção de umidade e na proteção do solo contra impactos da chuva.
O especialista resume o conceito com uma analogia: “O solo é o motor. Sem um solo bem estruturado, não adianta investir em tecnologia de ponta na semente ou na adubação, porque o potencial produtivo não se expressa”.
Para enfrentar o cenário previsto para a safra 2026/27, ele recomenda ações como diagnóstico do perfil do solo, uso estratégico de corretivos, descompactação mecânica, estímulo à matéria orgânica e atenção rigorosa à janela de plantio.
Segundo ele, o foco na biologia e na estrutura do solo pode ser decisivo para manter a produtividade mesmo em anos de forte instabilidade climática. “O clima vai desafiar o agricultor, mas quem investir na raiz terá melhores condições de atravessar o ciclo”, conclui.


