Grupo criminoso investigado em Sorriso recebia ordens via celulares ilegais e soma penas que ultrapassam 30 anos.
A Justiça de Mato Grosso condenou integrantes de uma organização criminosa investigada na Operação Escariotes, após apuração conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso. A sentença foi proferida pela 5ª Vara Criminal da Comarca de Sinop no dia 30 de abril de 2026.
As investigações, lideradas pela Delegacia de Homicídios de Sorriso com apoio da Gerência de Combate ao Crime Organizado, identificaram um grupo estruturado que atuava tanto fora quanto dentro do sistema prisional.
De acordo com o processo, os envolvidos foram responsabilizados por crimes como tráfico de drogas, organização criminosa, corrupção ativa e passiva, além da entrada ilegal de celulares em unidades prisionais.
As apurações começaram após um homicídio registrado em março de 2024, que revelou a existência de uma rede com divisão de funções e comunicação por aplicativos de mensagens. Segundo a investigação, aparelhos introduzidos ilegalmente nos presídios eram usados para coordenar crimes, incluindo assassinatos.
Condenações
Apontado como líder da organização, um dos réus foi condenado a 31 anos, 7 meses e 24 dias de reclusão, além de multa, pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e corrupção ativa. A decisão destaca que ele comandava as ações ilícitas mesmo estando preso.
Um policial penal também foi condenado por participação no esquema. Ele recebeu pena de 19 anos e 4 meses de prisão, além de multa, por organização criminosa, tráfico de drogas e corrupção passiva. O servidor ainda responde a processo administrativo.
Segundo as investigações, o agente facilitava a entrada de celulares e entorpecentes no presídio, além de permitir o acesso à internet aos detentos.
Outro integrante foi condenado por organização criminosa e corrupção ativa, sendo considerado peça importante no funcionamento da estrutura criminosa.
Estrutura e atuação
A Polícia Civil destacou que o grupo operava de forma organizada, mantendo atividades ilícitas mesmo com integrantes encarcerados o que evidencia a atuação de facções dentro do sistema penitenciário.
Para o delegado responsável, a decisão representa um avanço no enfrentamento ao crime organizado no estado.
A sentença reforça o trabalho integrado das forças de segurança e amplia o combate à atuação de lideranças criminosas que utilizam presídios como base de comando.


