Neste 24 de maio, data em que é celebrado o Dia Nacional do Milho, o cereal ganha ainda mais destaque por sua importância econômica, nutricional e cultural. Segundo grão mais cultivado do Brasil, o milho se tornou peça estratégica para a alimentação humana, produção animal e desenvolvimento econômico, especialmente em Mato Grosso, líder nacional na produção do cereal.
Hoje símbolo da força do agronegócio mato-grossense, o milho nem sempre teve papel de protagonista. Inicialmente tratado como uma alternativa complementar à soja e conhecido como “safrinha”, o grão enfrentou desafios de comercialização, logística e baixa produtividade nas primeiras décadas de cultivo no estado.
A transformação começou a partir dos avanços científicos que permitiram a exploração agrícola do Cerrado brasileiro. Técnicas de correção do solo, uso de fertilizantes e o desenvolvimento de variedades adaptadas às condições da região abriram caminho para a expansão da produção.
Segundo o segundo diretor administrativo da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Jorge Diego Giacomelli, a tecnologia foi determinante para o crescimento do setor.
“Após o desenvolvimento de tecnologias que possibilitaram o cultivo nos solos ácidos do Cerrado, a agricultura explodiu. Tudo isso foi possível graças à pesquisa, à tecnologia e à perseverança dos produtores que transformaram Mato Grosso em uma potência agrícola”, afirmou.
Produtores que participaram da construção dessa história acompanham de perto a evolução do setor. O agricultor Néstor Poleto, do núcleo de Nova Mutum, relembra as dificuldades dos primeiros anos.
“Minha primeira cultura foi o arroz, em 1979. Em 1983 inseri a soja e obtive bons resultados após corrigir o solo. Na época, a colheita era ensacada e a comercialização era muito difícil”, recordou.
Com o passar dos anos, novas cultivares de ciclo mais curto permitiram o adiantamento do plantio da soja e abriram espaço para uma segunda safra anual. Foi nesse cenário que o milho deixou de ser apenas cobertura de solo e ganhou importância econômica.
“A pesquisa trouxe variedades mais precoces e permitiu consolidar o milho, que hoje deixou de ser safrinha para se tornar efetivamente uma safra”, destacou Poleto.
Além do aumento da área plantada, a evolução tecnológica elevou significativamente a produtividade. O uso do plantio direto, mecanização, automação, biotecnologia e manejo mais eficiente mudou o cenário das propriedades rurais.
Esse avanço também fortaleceu a sustentabilidade do sistema produtivo, melhorando a qualidade do solo, aumentando a matéria orgânica e diversificando as fontes de renda do produtor.
Para Sérgio Triches, produtor rural de Sorriso que chegou a Mato Grosso no fim da década de 1980, o milho foi essencial para a consolidação econômica da atividade agrícola.
“No início utilizávamos cerca de 20% da área com milho. Com o tempo isso cresceu até chegar aos atuais 100%. O milho se tornou um grande diluidor de custos e fator decisivo para a rentabilidade”, afirmou.
Desafios comerciais também fizeram parte da trajetória da cultura. O produtor Altemar Krolling, de Diamantino, lembra das dificuldades enfrentadas nos anos 1990.
“Quando começamos a plantar milho, a comercialização era complicada. O frete era alto, não havia consumo suficiente e a produtividade não passava de 80 sacas por hectare. Hoje a realidade é completamente diferente”, relatou.
Além das propriedades rurais, a expansão do milho impulsionou cadeias econômicas inteiras. O crescimento da produção de ração animal e a chegada das usinas de etanol de milho transformaram a dinâmica econômica de diversos municípios.
“A implantação das usinas de etanol foi uma verdadeira revolução econômica. Isso gera emprego, renda e agrega valor à produção”, ressaltou Giacomelli.
Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam crescimento expressivo da produção nas últimas décadas, consolidando Mato Grosso como maior produtor nacional do cereal.
Com a demanda crescente por ração animal e biocombustíveis, especialistas avaliam que o milho pode ampliar ainda mais sua participação no futuro do agronegócio estadual.
O que um dia foi chamado de “safrinha” hoje ocupa posição de destaque no campo. Mais que uma cultura complementar, o milho tornou-se símbolo de produtividade, inovação e sustentabilidade, consolidando seu papel como um dos pilares do desenvolvimento econômico de Mato Grosso.


