Dados do Banco Central do Brasil apontam que o endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,7% em janeiro de 2026, se aproximando do maior nível da série histórica, registrada em julho de 2022 (49,9%).
O indicador, calculado com base na Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias (RNDBF), mede o quanto das dívidas representa em relação à renda disponível da população funcionando como um termômetro da saúde financeira dos brasileiros.
Pressão crescente
O nível elevado se manteve pelo terceiro mês consecutivo, acendendo um alerta dentro do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já estuda medidas para tentar aliviar o peso das dívidas antes das eleições.
Em relação a janeiro de 2025, o endividamento subiu 1,1 ponto percentual, impulsionado principalmente pelo aumento dos juros e pela expansão do crédito.
Quando excluído o crédito imobiliário, o índice cai para 31,3%, o que indica que cerca de 40% do endividamento total está ligado ao financiamento de imóveis.
Renda comprometida
Outro dado preocupante é o comprometimento da renda das famílias, que atingiu recorde de 29,3% em janeiro. Isso significa que quase um terço da renda mensal está sendo destinado ao pagamento de dívidas.
Sem considerar financiamentos imobiliários, esse percentual ainda permanece alto, em 27,1%, também o maior da série.
Segundo especialistas do Banco Central, esse indicador reflete o impacto direto das dívidas no orçamento mensal, especialmente em modalidades com juros elevados, como cartão de crédito e cheque especial.
juros elevam risco
O cenário é agravado pelas altas taxas de juros. O rotativo do cartão de crédito chegou a impressionantes 435,9% ao ano, enquanto o parcelado atingiu 202,2% e o cheque especial, 147% anuais.
Essas modalidades, consideradas emergenciais, têm forte impacto no orçamento, já que exigem pagamentos rápidos e com juros acumulados de forma acelerada.
Inadimplência em alta
O aumento das dívidas já reflete no crescimento da inadimplência. O atraso entre 15 e 90 dias subiu para 5,48%, enquanto as dívidas acima de 90 dias atingiram 5,24% o maior nível desde 2012.
No crédito rotativo do cartão, a inadimplência chegou a 59,75%, evidenciando a dificuldade das famílias em manter as contas em dia.
Impactos
O avanço do endividamento e da inadimplência preocupa economistas, pois pode afetar diretamente o consumo, desacelerar a economia e aumentar a vulnerabilidade financeira das famílias brasileiras.
Diante desse cenário, o governo avalia medidas para reduzir o peso das dívidas, especialmente nas linhas de crédito mais caras, como cartão de crédito, cheque especial e consignado.


