Proposta de redução da jornada de trabalho avança no Congresso, mas especialistas alertam para aumento de custos, impacto na produtividade e efeitos negativos no crescimento do país.
A proposta de extinguir a escala 6×1 e reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem corte de salários, tem ganhado força no Congresso Nacional, mas acende um alerta entre economistas e representantes do setor produtivo devido aos possíveis impactos negativos para a economia brasileira.
Defendida por parlamentares e movimentos sociais, a medida prevê mais tempo de descanso e melhor qualidade de vida aos trabalhadores. No entanto, estudos e análises apontam que a mudança pode gerar efeitos adversos, como aumento expressivo nos custos das empresas, pressão inflacionária e até retração do Produto Interno Bruto (PIB).
Levantamentos de entidades como a Confederação Nacional do Comércio (CNC) indicam que os preços ao consumidor podem subir até 13%, enquanto os custos operacionais podem ultrapassar R$ 350 bilhões por ano nos setores de comércio e serviços. Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima um impacto adicional de até R$ 87,8 bilhões com horas extras ou novas contratações.
Outro estudo aponta que a economia brasileira pode sofrer uma queda de até 2,8% no PIB, mesmo em cenários mais otimistas. Especialistas destacam que o Brasil ainda enfrenta baixa produtividade, o que agrava os riscos de uma redução generalizada da jornada sem ganhos equivalentes de eficiência.
Pequenas e médias empresas, responsáveis pela maior parte dos empregos no país, devem ser as mais afetadas. Com margens de lucro reduzidas, muitos negócios podem ser forçados a aumentar preços, reduzir contratações ou até migrar para a informalidade.
Além disso, o debate ocorre em um momento de fragilidade fiscal, com aumento do endividamento público e das famílias, o que pode potencializar os efeitos negativos da medida no curto e médio prazo.
Apesar das críticas, defensores da proposta argumentam que jornadas menores podem estimular o consumo, melhorar a saúde mental dos trabalhadores e, a longo prazo, elevar a produtividade. No entanto, especialistas defendem que qualquer mudança deve ser implementada de forma gradual e com flexibilidade, respeitando as diferenças entre os setores da economia.
O tema segue em discussão no Congresso e promete ser um dos principais debates econômicos e políticos em ano eleitoral.


