Tenente-coronel investigado pela morte da esposa pode perder patente em processo disciplinar.
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a esposa, Gisele Alves Santana, foi transferido para a reserva pela Polícia Militar de São Paulo enquanto responde ao processo judicial.
A medida foi oficializada por meio de portaria da Diretoria de Pessoal da corporação. O pedido partiu do próprio oficial, de 53 anos, que já tinha direito à aposentadoria com base em critérios proporcionais de idade.
Com isso, ele continuará recebendo remuneração equivalente ao último salário na ativa, estimado em cerca de R$ 28 mil brutos. Após ajustes proporcionais, o valor deve ficar em torno de R$ 20 mil.
Benefício é permitido mesmo com acusação
De acordo com as regras da Polícia Militar de São Paulo, a transferência para a reserva não é impedida por investigações criminais em andamento, o que garante ao oficial o recebimento do benefício.
Processo disciplinar pode levar à perda da patente
Apesar da aposentadoria, o caso segue sendo analisado administrativamente. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que foi instaurado um conselho de justificação, procedimento que pode resultar na perda do posto e da patente.
Segundo a pasta, a apuração disciplinar continua válida mesmo após a passagem do militar para a reserva.
Investigação aponta feminicídio
O tenente-coronel foi preso preventivamente no dia 18 de março, acusado de matar a esposa com um tiro na cabeça no apartamento onde o casal vivia, no bairro do Brás, na região central de São Paulo.
Inicialmente tratado como suicídio, o caso teve a versão contestada após o avanço das investigações. Laudos periciais e análise de mensagens indicaram inconsistências no relato apresentado pelo próprio oficial.
A Polícia Civil de São Paulo concluiu o inquérito e apontou indícios de feminicídio e fraude processual. O Ministério Público também destacou elementos que sugerem tentativa de manipulação da cena do crime.
Caso segue na Justiça
O inquérito policial militar está em fase final e deve ser encaminhado ao Judiciário. Paralelamente, o processo criminal segue em tramitação, enquanto o oficial aguarda julgamento.


