Fenômeno climático se combina a custo de insumos e risco no fornecimento de fertilizantes.
As projeções revelam que o El Niño deve registrar neste ano sua ocorrência mais intensa em uma década. O cenário aponta para clima mais quente e seco em áreas da Ásia no segundo semestre, com impacto sobre colheitas e oferta de alimentos.
O quadro ocorre em meio à alta no custo de insumos agrícolas, como fertilizantes e combustíveis, pressionados pela guerra no Irã. A possível interrupção no tráfego pelo Estreito de Ormuz também preocupa o mercado, já que cerca de 30% do comércio mundial de ureia passa pela região.
Clima adverso já afeta produção em diferentes regiões
Uma agência meteorológica do Japão estima 70% de probabilidade de formação do fenômeno durante o verão do Hemisfério Norte. Autoridades da China avaliam que o evento pode se estender até o fim do ano. Na Índia, a previsão indica monções abaixo da média pela primeira vez em três anos.
Segundo o meteorologista Chris Hyde, da Meteomatics, já há sinais de calor e seca em partes da Austrália e da Índia. Ele compara o cenário atual ao observado no ciclo de 2015 e 2016, quando um episódio intenso provocou perdas agrícolas relevantes.
O fenômeno ocorre com o aquecimento das águas do Pacífico central e oriental, o que altera padrões climáticos globais. Em episódios anteriores, esse padrão levou a seca em regiões da Ásia e redução na produção de grãos e oleaginosas.
Na Austrália, a falta de chuvas já levou produtores a reduzirem o plantio de trigo e canola. Agricultores relatam ausência de precipitações significativas há meses. O país ocupa posição relevante no mercado global, como um dos principais exportadores desses produtos.
No Sudeste Asiático, o clima seco ameaça a produção de arroz e óleo de palma, com efeitos que podem aparecer ao longo dos próximos meses, em razão do ciclo agrícola.
O impacto não se limita à Ásia. O fenômeno tende a aumentar o volume de chuvas nos Estados Unidos e na Europa, o que pode prejudicar a colheita de milho e soja, afetando a qualidade e o ritmo da produção.
Porém, para Benoit Fayaud da Expana, as chuvas de verão podem ser favoráveis para o milho e vice-versa na Europa.
Fonte – Revista Oeste


