Levantamento indica que desempenho do IFIX depende mais do ciclo total de juros do que da intensidade da primeira redução.
A redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, anunciada pelo Comitê de Política Monetária na última quarta-feira (18), não deve ter impacto relevante no desempenho dos fundos imobiliários no curto prazo. Segundo estudo da gestora RB Asset, o fator mais determinante para o setor é o tamanho total do ciclo de cortes da taxa Selic.
A análise considera dados dos últimos 15 anos, desde a criação do IFIX, em 2011, e observa quatro ciclos de flexibilização monetária conduzidos pelo Banco Central do Brasil. De acordo com o levantamento, independentemente de o corte inicial ser de 0,25 ou 0,50 ponto percentual, o índice tende a apresentar valorização consistente ao longo dos meses seguintes.
Em média, o IFIX registra alta de 11,3% seis meses após o início de um ciclo de queda de juros. O estudo mostra que a diferença entre cortes iniciais menores ou maiores não gera discrepâncias significativas no desempenho dos fundos imobiliários nesse período.
O histórico, no entanto, aponta que ciclos mais intensos de redução da Selic geram retornos mais expressivos. Em 2011 e 2016, por exemplo, quando os cortes somaram 5,25 e 7,75 pontos percentuais, respectivamente, o IFIX acumulou valorização média de 28,9% em 12 meses. Já nos ciclos mais recentes, como os de 2019 e 2023, com reduções mais moderadas, o índice avançou apenas 4% no mesmo intervalo.
Segundo especialistas, a expectativa para o patamar final da taxa de juros é o principal fator que influencia a atratividade dos fundos imobiliários. Juros mais baixos tendem a estimular a migração de investidores da renda fixa para ativos de maior risco, favorecendo o setor.
Dentro do mercado, os chamados fundos de “tijolo”, ligados a ativos físicos como imóveis comerciais, costumam se beneficiar mais desse cenário do que os fundos de “papel”, atrelados a títulos de crédito. Entre os segmentos, os fundos de shopping centers se destacam historicamente como os mais rentáveis em períodos de queda de juros, superando o desempenho médio do índice.
Com isso, mesmo diante de um corte inicial menor do que o esperado, o mercado segue atento às próximas decisões do Banco Central e, principalmente, à trajetória da Selic ao longo dos próximos meses, que será decisiva para o desempenho do setor imobiliário na bolsa.


