Parlamentares e aliados de Jair Bolsonaro chamam visita à Sagrada Família de “milagre do ano de eleição” e resgatam pautas conservadoras para criticar o presidente.
A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à basílica da Sagrada Família, em Barcelona, no último domingo (19), tornou-se o novo combustível para a guerra de narrativas entre o Planalto e a oposição. O registro do presidente de joelhos em oração foi recebido com ironia por lideranças ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que acusam o petista de “encenar” religiosidade para atrair o voto cristão em 2026.
A repercussão tomou conta das redes sociais, onde influenciadores e parlamentares de direita questionaram a autenticidade do gesto, classificando-o como uma estratégia estritamente política.
Reações no Legislativo: “Milagres da Eleição”
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) foi um dos primeiros a reagir, postando o vídeo da oração com a legenda: “Ano eleitoral e seus milagres!!!”. No mesmo tom, o deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM), pré-candidato ao Senado, publicou uma edição que confrontava as imagens de Lula na igreja com cenas do Carnaval, acusando o presidente de “zombar da fé cristã” em outros contextos para agora buscar o apoio religioso nas urnas.
O vereador Carlos Bolsonaro (PL), que disputa uma vaga ao Senado por Santa Catarina, também reforçou a ofensiva digital ao compartilhar o conteúdo crítico em seus perfis oficiais.
Embates Ideológicos e Pautas de Costumes
Além da ironia, as críticas ganharam contornos ideológicos. O ex-ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, atacou a coerência do presidente, afirmando que “não dá para ser cristão e apoiar a legalização do aborto”. Queiroga chegou a usar metáforas religiosas para questionar a postura do mandatário, sugerindo que o PT só “frequenta igrejas de quatro em quatro anos”.
Em São Paulo, o vereador Adrilles Jorge (União Brasil) subiu o tom, acusando a esquerda de historicamente atacar o cristianismo e agora tentar “cativar desesperadamente” o eleitorado religioso.
Agenda Internacional
A passagem pela icônica obra de Antoni Gaudí, acompanhado da primeira-dama Janja, encerrou os compromissos oficiais de Lula na Espanha. Sem comentar as críticas da oposição, o presidente seguiu para a Alemanha nesta segunda-feira (20), onde cumpre agenda nas cidades de Hannover e Wolfsburg.
O foco da viagem à Alemanha deve girar em torno de acordos comerciais e transição energética, mas a imagem da oração em Barcelona continua a pautar o debate político doméstico no Brasil.


