Encontro expõe abismo entre a fidelidade histórica de Wellington Fagundes e a recente tentativa de aproximação de Otaviano Pivetta.
A visita do senador Flávio Bolsonaro (PL) a Sinop, marcada para a próxima quarta-feira (22/04), transformou-se no novo palco de uma disputa estratégica pelo “selo de autenticidade” da direita em Mato Grosso.
O evento coloca em evidência dois perfis opostos que miram o Governo do Estado em 2026: de um lado, a lealdade de longo prazo de Wellington Fagundes (PL); do outro, o reposicionamento pragmático de Otaviano Pivetta (Republicanos).
A presença do “filho 01” do ex-presidente Jair Bolsonaro é lida por analistas como um termômetro decisivo.
A disputa não é apenas por uma foto, mas pela narrativa de quem realmente representa os valores do movimento no estado.
Fagundes: A construção da base por dentro
Para o senador Wellington Fagundes, o alinhamento com a família Bolsonaro não é uma estratégia de última hora. O parlamentar foi peça-chave na engenharia política que levou Jair Bolsonaro ao Partido Liberal em 2021, chegando a ceder o próprio apartamento em Brasília para as reuniões de cúpula que selaram o acordo.
No Senado, Fagundes tem atuado na linha de frente de pautas sensíveis ao grupo, como:
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Prisão Humanitária: Defesa direta da situação jurídica do ex-presidente junto ao STF e à PGR.
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Pauta de Costumes e Anistia: Atuação constante no Bloco Vanguarda, ao lado de Flávio Bolsonaro.
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Enfrentamento Institucional: Mobilização contra decisões judiciais interpretadas pelo grupo como excessivas.
Pivetta: O desafio de superar o passado
O vice-governador Otaviano Pivetta enfrenta um cenário mais complexo.
Se hoje ele busca o apoio do núcleo bolsonarista, seu histórico recente é marcado por críticas severas.
No passado, Pivetta chegou a questionar publicamente a atuação de Jair Bolsonaro e a presença de seus filhos na política, mencionando de forma ácida o cenário de segurança do Rio de Janeiro ao se referir a Flávio.
Essa guinada de Pivetta em direção à direita conservadora tem sido recebida com ceticismo por parte do eleitorado. O movimento evoca a recente fala de Michelle Bolsonaro sobre os “políticos surfistas” aqueles que aderem à onda direitista apenas por conveniência eleitoral.
O peso da coerência para 2026
O contraste entre os dois nomes é nítido: enquanto Fagundes apresenta uma trajetória de continuidade e bastidores consolidados, Pivetta tenta construir uma ponte em terreno ainda instável.
A agenda em Sinop será o primeiro grande teste público dessa disputa. Para o eleitor de Mato Grosso, a questão que fica no ar é se o bolsonarismo priorizará a coerência histórica de quem ajudou a fundar as bases do partido ou a conveniência política de novos aliados que buscam abrigo sob o guarda-chuva da direita.


