Manobra reúne milhares de militares, submarinos, navios e simulações de ataques nucleares em meio ao agravamento da guerra na Ucrânia.
A Rússia iniciou o maior exercício de guerra nuclear realizado pelo país desde o fim da Guerra Fria. A operação, que terá duração de três dias, ocorre em meio ao aumento das tensões internacionais e ao agravamento do conflito envolvendo a Ucrânia.
Segundo informações divulgadas por Moscou, o treinamento simula cenários de combate e resposta nuclear diante de possíveis ameaças externas. O exercício envolve aproximadamente 64 mil militares e uma ampla estrutura logística e bélica.
Entre os recursos mobilizados estão:
- 7.800 equipamentos militares;
- mais de 200 lançadores de mísseis;
- 140 aeronaves;
- 73 navios;
- 13 submarinos.
Os treinamentos incluem testes com mísseis balísticos intercontinentais e disparos de mísseis de cruzeiro lançados a partir de terra e mar. Também estão previstas simulações envolvendo armas nucleares táticas posicionadas em Belarus, aliado estratégico da Rússia e país vizinho de integrantes da OTAN.
O governo russo afirma que a operação busca “dissuadir potenciais adversários” e medir o grau de prontidão das forças estratégicas do país.
A movimentação ocorre em um momento de intensificação dos confrontos na guerra. Nas últimas semanas, ataques aéreos entre russos e ucranianos aumentaram, enquanto regiões próximas de Moscou e estruturas energéticas passaram a ser alvo de ações militares.
Pressão nuclear e mudanças estratégicas
Desde o início da invasão da Ucrânia, em 2022, o presidente Vladimir Putin tem utilizado o arsenal nuclear russo como instrumento de pressão diplomática e estratégica diante das potências ocidentais.
Nos últimos anos, a doutrina militar russa também passou por alterações relacionadas ao emprego de armas nucleares. Antes, o uso desses armamentos estava associado principalmente a cenários de resposta a ataques nucleares. Com mudanças recentes, a interpretação sobre ameaças e respostas estratégicas passou a admitir cenários mais amplos.
Especialistas apontam que essas alterações aumentaram a flexibilidade estratégica da Rússia diante do contexto atual do conflito.
Exercício ocorre durante agenda internacional
O exercício militar acontece paralelamente à viagem de Vladimir Putin à China, onde participa de reuniões com o presidente Xi Jinping.
Nos últimos anos, Rússia e China ampliaram parcerias econômicas e militares, consolidando aproximações em meio às mudanças do cenário geopolítico internacional.
A visita ocorre poucos dias após agenda do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no país asiático acompanhado por representantes do governo e empresários.


