Depois de dias de espera, decisões judiciais e denúncias de demora no atendimento, o paciente Adailson Batista da Silva, diagnosticado com mieloma múltiplo, foi transferido para o Hospital de Amor, em Barretos (SP), referência nacional no tratamento oncológico.
A transferência ocorreu após mobilização da família, atuação da defesa jurídica e repercussão do caso. Conforme informações apresentadas no processo, o Estado de Mato Grosso teria deixado de cumprir ao menos três determinações judiciais que solicitavam a remoção imediata do paciente para uma unidade especializada.
Durante o período de espera, Adailson permaneceu internado por quase um mês em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sinop. Segundo relatos, a unidade é destinada principalmente para atendimentos de urgência e emergência, não sendo estruturada para tratamentos complexos de câncer.
Ainda conforme familiares, o quadro clínico do paciente apresentou agravamento enquanto aguardava uma definição para a transferência.
Problemas estruturais ampliam debate
O caso reacendeu discussões sobre dificuldades enfrentadas por pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) para acesso a tratamentos especializados em Mato Grosso.
Entre os problemas apontados em diferentes regiões do estado estão déficit de profissionais, redução de leitos, demora em atendimentos e dificuldades estruturais em unidades hospitalares.
No Hospital Regional de Sorriso, por exemplo, informações apontam déficit superior a 140 profissionais, além da redução de leitos e paralisação de alguns procedimentos cirúrgicos.
Auditorias do Tribunal de Contas do Estado também identificaram problemas estruturais em hospitais regionais localizados em municípios como Cáceres, Diamantino, Matupá e Guarantã do Norte.
Além disso, Mato Grosso segue enfrentando desafios relacionados ao combate a doenças como hanseníase, tuberculose e dengue.
Outro episódio recente envolvendo a área da saúde ocorreu após o deputado estadual Max Russi apresentar denúncias sobre supostas irregularidades relacionadas a contratos do Hospital Regional de Cáceres. As informações foram encaminhadas aos órgãos competentes para apuração.
Enquanto isso, pacientes e familiares relatam dificuldades para obtenção de vagas e acesso a atendimentos especializados, cenário que continua gerando debates sobre a estrutura da saúde pública estadual.


