Medida militar eleva preços internacionais e amplia riscos para o mercado global de energia.
Os preços internacionais do petróleo voltaram a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril nesta segunda-feira (14), impulsionados pela escalada de tensões no Oriente Médio e pelo anúncio de bloqueio naval dos Estados Unidos contra o Irã.
O movimento ocorre em meio à preparação da Marinha norte-americana para restringir o tráfego de embarcações com destino a portos iranianos no Estreito de Ormuz, considerado um dos principais corredores energéticos do planeta.
No mercado, os contratos futuros do petróleo Brent registraram alta superior a 7%, sendo negociados acima de US$ 102 por barril. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, avançou cerca de 7,8%, ultrapassando os US$ 104. A valorização ocorre após recuos observados na sessão anterior.
O presidente Donald Trump confirmou a decisão de implementar o bloqueio, após o fracasso nas negociações com o governo iraniano para encerrar o conflito em curso. A medida eleva o nível de incerteza e coloca em risco o frágil cessar-fogo estabelecido nas últimas semanas.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, a operação prevê o controle do tráfego marítimo relacionado ao Irã, abrangendo portos no Golfo Arábico e no Golfo de Omã. A ação será aplicada a embarcações de diferentes nacionalidades que tenham ligação com o país.
Por outro lado, autoridades iranianas reagiram com firmeza. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que qualquer aproximação militar no estreito poderá ser considerada violação do cessar-fogo, indicando possibilidade de resposta imediata.
O cenário já impacta diretamente o mercado físico de petróleo, com alguns carregamentos sendo negociados com prêmios elevados e alcançando valores próximos a US$ 150 por barril. Além disso, dados de navegação apontam que petroleiros começaram a evitar a região, refletindo o aumento do risco operacional.
Especialistas avaliam que, caso o bloqueio seja efetivamente mantido, poderá haver maior convergência entre os preços do mercado físico e os contratos futuros, ampliando a volatilidade no setor energético global.


