Alta do petróleo e tensão no Oriente Médio pressionam expectativas do IPCA, aponta Banco Central.
A expectativa do mercado financeiro para a inflação brasileira em 2026 voltou a subir e ultrapassou o limite máximo da meta estabelecida pelo Banco Central do Brasil. Dados do Boletim Focus divulgados nesta segunda-feira (13) indicam que a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou de 4,36% para 4,71%.
Com isso, a estimativa supera o teto de 4,5% definido pelo Conselho Monetário Nacional, responsável por estabelecer a meta inflacionária. Atualmente, o centro da meta é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
O movimento de alta ocorre em meio às incertezas no cenário internacional, especialmente após a escalada do conflito no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo e aumentou as pressões inflacionárias globais.
Considerando apenas as estimativas mais recentes do mercado, atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a projeção para o IPCA em 2026 chega a 4,73%, reforçando a tendência de desancoragem das expectativas.
Para os anos seguintes, o cenário também mostra ajustes. A projeção para 2027 subiu para 3,91%, enquanto as estimativas para 2028 e 2029 permanecem em 3,60% e 3,50%, respectivamente.
Apesar da elevação nas expectativas do mercado, o Banco Central mantém projeção mais moderada. Segundo o último Relatório de Política Monetária, a autoridade monetária estima inflação de 3,9% em 2026 e de 3,3% no horizonte relevante, atualmente situado no terceiro trimestre de 2027.
No campo dos juros, a expectativa para a taxa Selic ao final de 2026 segue em 12,50% ao ano, indicando manutenção de uma política monetária restritiva diante do cenário de incertezas. Para os anos seguintes, o mercado projeta queda gradual dos juros.
O Comitê de Política Monetária já iniciou um ciclo de flexibilização ao reduzir recentemente a Selic, mas sinalizou cautela nas próximas decisões. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, destacou que o cenário ainda apresenta baixa previsibilidade, especialmente diante dos impactos externos sobre os preços internos.
No que diz respeito à atividade econômica, a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 foi mantida em 1,85%, indicando estabilidade nas expectativas de expansão da economia brasileira.
Já o câmbio apresentou leve ajuste, com a estimativa para o dólar ao fim de 2026 recuando para R$ 5,37, enquanto as projeções para os anos seguintes indicam relativa estabilidade.


